Coluna da Madame Bela na Revista Buttman Fevereiro de 2008 - Clientes também se apaixonam
2 Março 2008
Não são só a garotas de programa que estão sujeitas a se envolverem e se apaixonarem por clientes. É muito comum os clientes também desenvolverem algum carinho especial e até enlouquecerem pela gente. Vivi isso várias vezes, algumas correspondi e outras, infelizmente fui obrigada a ignorar. Um desses clientes foi o Jorge.
O Jorge apareceu na minha vida logo no começo de 2005 e rapidamente se tornou um dos meus melhores clientes. Se eu atendesse só o Jorge eu já teria dinheiro suficiente para pagar grande parte das minhas contas. Por semana fazíamos no mínimo dois programas, mas era comum nos encontrarmos até três vezes por semana. Ele sempre fez questão de me contar detalhes do seu relacionamento familiar. Tinha orgulho de falar dos filhos e da esposa e sempre deixou bem claro que tinha o casamento perfeito, mas que não conseguia resistir a vontade de me encontrar.
O mais engraçado disso tudo é que o interesse do Jorge por mim não era sexual. Nossas relações eram boas, mas nada fora do comum, pelo contrário, muitas e muitas vezes o Jorge não alcançava o gozo comigo e isso sempre me deixou muito intrigada. Porque ele ainda continuava me procurando se eu não tinha competência para fazê-lo gozar? E se a vida matrimonial dele era tão perfeita, porque ele fazia questão de estar comigo tanto e tantas vezes?
Ao longo do tempo que nos encontramos, quase dois anos, desenvolvi um carinho muito grande pelo Jorge, a ponto de desmarcar programas com outros clientes para me encontrar com ele. Porém, num determinado momento, percebi que seu interesse por mim acabara se tornando algo doentio. Ele estava fazendo coisas que eu não poderia aceitar. Me perseguir e tentar me controlar, por exemplo.
Vou contar um episódio que aconteceu entre mim e o Jorge que que me deixou chocada: Certa vez, passei o dia inteiro recebendo ligações dele no meu celular, mas todas as vezes que eu atendia ao telefone, a ligação caia. Eu, que já estava achando aquela insistência muito irritante, parei de atender o telefone. Ele, por sua vez, não se deu por satisfeito e continuou insistindo. Ligou uma, duas, dez, vinte… ligou tantas vezes que a bateria do celular descarregou só com suas chamadas.
Era uma noite de quarta feira e dois dias antes eu já tinha acertado um programa com um outro cliente e no momento em que eu fui encontrá-lo, o Jorge me ligou:
__Izabela….tu tu tu tu
__Izabela… tu tu tu tu __a ligação caiu de novo.
Na terceira ligação: __Tô te esperando no… tu tu tu tu
E o cliente com quem eu tinha combinado o programa chegou e entramos no motel. Deixei o celular no vibracall como de costume e fiz o programa normalmente. Quando acabamos, coloquei novamente o telefone para tocar, e qual foi a primeira ligação? A do Jorge.
__Izabela, o que houve?
__Porque? __ Fingindo espanto. No fundo eu imaginava o que ele iria dizer.
__Eu fiquei te esperando e você não apareceu.
__Mas você não marcou nada comigo Jorge!
__Antes da ligação cair eu falei que estaria te esperando no mesmo lugar de sempre. __ Falou com ar desapontado.
__Ah, sinto muito, mas não ouvi você falando nada.
Estranhamente a ligação não caiu dessa vez. Achei até que ele estava simulando a má ligação apenas pra me irritar, mas porque ele faria isso? A voz dele no telefone era de um homem decepcionado e aborrecido. Mas esta não foi a pior parte. O pior foi dar de cara com o Jorge de tocaia na esquina da rua quando eu desci do carro do cliente com quem eu estava. A partir desse dia minha consideração pelo Jorge foi diminuindo, diminuindo… Ele não tinha nenhum direito de ficar circulando pelos motéis para descobrir aonde eu estava trepando e ficar me esperando sair. Ridículo! Mas nossa relação não terminou por aí. Mesmo eu dizendo pra ele o quanto algumas coisas que ele fazia me incomodavam e que não estava gostando daquela mania dele de tentar se apoderar de mim, ainda passamos alguns meses nos encontrando. As vezes ele tinha uma recaída e eu lhe dava um gelo, ficando sem sair com ele por alguns dias e então ele melhorava. Até que em fevereiro, numa viagem que fizemos a Belo Horizonte, eu percebi que nossa relação já tinha ido longe demais.
O Jorge precisava fazer uma viagem até BH para visitar seu médico. Uma visita de rotina que ele fazia a cada três meses para revisar a cirurgia que tinha feito nos olhos. Como já vínhamos combinando a algum tempo que numa dessas viagens eu iria acompanhá-lo, mesmo estando estremecida com ele, resolvi não voltar atrás. Antes tivesse desistido e inventado algo de última hora, pois foi uma experiência desastrosa.
Não sei nem como começar a explicar, mas foi muito, muito estranho. Senti minha privacidade invadida tendo que dividir com ele o mesmo quarto de hotel e tantos momentos de intimidade. Não sei se conseguiria explicar sem parecer estúpida, mas pra mim é muito mais fácil agüentar alguém por uma ou duas horas ganhando menos do que por um final de semana inteiro. Outro fator importante é que como ele já vinha fazendo antes, nessa viagem o Jorge confundiu tudo. Achou que pagando pela minha companhia significava pagar por sentimentos e pensamentos. Ele andava comigo na rua como se estivesse andando com uma vaca da sua propriedade. Reparando em todos os meus movimentos, acompanhando todos os meus olhares… coisa de gente paranóica!
Fiquei tão irritada com ele que não dormi de sábado pra domingo me odiando por ter feito aquela viagem. Eram dez horas da manhã de domingo quando decidi que seria muito difícil insistir e ficar mais um dia. Só de olhar pro Jorge já me vinha a vontade de esbofeteá-lo. Falei com ele o que estava acontecendo e mesmo com ele implorando meu perdão, arrumei minhas roupas na bolsa e parti para a rodoviária, deixando-o sozinho no hotel. Não vou me prolongar no assunto, pois é algo que quero esquecer e não repetir. Mas viajar com alguém novamente, só se existir muita afinidade e vontade de estar junto, senão não rola.
Durante a viagem de volta ele me telefonou vária vezes, mas ignorei a ligação. Só na segunda-feira aceitei falar com ele apenas para dizer que não dava mais. Que não gostaria mais de vê-lo, nem como amigo, nem como cliente. Que tinha perdido todo o respeito e consideração por ele e que o melhor que ele tinha a fazer era descartar o número do meu telefone e não me telefonar nunca mais.
Ainda hoje o Jorge me liga. Me pede desculpas por tudo, diz que sente saudades e que gostaria de entender o que foi que ele me fez de tão ruim para que eu não o quisesse nem pelo dinheiro. Eu sou uma pessoa de extremos, sabe? Pra mim não tem meio termo. Ou eu amo e quero tudo o que vem da pessoa, até o que não é bom. Ou eu odeio e simplesmente ignoro. Me desligo da pessoa como se ela nunca tivesse existido. Risco da minha vida sem chance de volta.




on Março 2nd, 2008 at 11:08 pm
Bela precisamos nos ver meu amor, me liga.
Beijundas
Jorge
on Março 4th, 2008 at 4:36 pm
Grande possibilidade de crime passional. Cuidado.