Aprendendo a beijar
3 Dezembro 2007
Quando eu era adolescente, lá por volta dos quatorze anos, e ainda não tinha beijado de língua, a idéia de, na primeira experiência, não saber beijar direito, simplesmente me aterrorizava. Pra me ajudar nesta tarefa, que pra mim foi tão difícil quanto a primeira transa, eu vivia folheando revistas que explicassem o passo a passo, técnicas e dicas de como fazer para que o primeiro beijo fosse um sucesso. Era questão de vida ou morte. No meu primeiro beijo e eu teria que ser infalível.
Eu já tinha perdido a oportunidade de namorar alguns garotos por ter vergonha de não saber beijar e quase perdi o meu primeiro namorado por este mesmo motivo. Engraçado isso! Hoje, sendo como sou, é até difícil de acreditar que eu tenha sido tão tímida ao ponto de namorar um menino por 30 dias se ter lhe dado um beijo de língua sequer, só selinhos.
Chegou então o Dia D, a Hora H, o momento da decisão. Eu sabia tudo na teoria. Tinha ensaiado nas minhas bonecas, na laranja, na mão… só faltava uma boca de verdade. Depois de 30 dias de espera, nada mais justo que meu primeiro beijo num menino fosse no Renato.
Engraçado que, apesar de eu querer muito, não foi uma coisa assim de caso pensado. Meu primeiro beijo foi na pressão. Eu não sei exatamente o motivo, mas naquele dia o Renato tinha decidido não ficar mais comigo e me trocou pela vizinha da rua de cima. Lógico. Ela beijava de língua!
Foi por volta das sete da noite quando ele passou, de mãos dadas, com a vizinha em frente a minha casa. Eu entrei em parafuso. “Como é que pode?! Até ontem ele estava conversando comigo no portão, e foi assim durante todas as 29 noites anteriores! Falávamos sobre tantos assuntos, ríamos tanto sobre tudo! Será que se eu beijá-lo ele volta pra mim?”
E foi assim que esperei o Renato voltar da casa da vizinha. Não desgrudei os olhos do portão. Passaram uma, duas, três, quase quatro horas e ele passou arrastando os chinelos. Corri pra fora e chamei:
__ Renato!
Ele se voltou e perguntou:
__ O que foi?
__ A gente não tá mais namorando?
__ Acho que a gente nunca namorou.
__ Porque você acha isso?
__ A gente só fica conversando e nada mais acontece.
__ Você quer me beijar, né?
__ Quero!
Nessa hora demos as mãos e fomos chegando mais perto. Barriga com barriga, peito com peito, boca com boca e o beijo aconteceu. Fácil, calmo, macio… tanta preparação pra uma coisa tão simples. Não precisava tanta técnica era só relaxar e deixar acontecer. Fiquei até desapontada comigo mesma por ter esperado tanto. Quando acabou tive que me confessar:
__ Eu sempre quis te beijar, mas nunca tinha beijado um garoto antes. Tinha medo de fazer tudo errado.
__ Eu desconfiei que fosse isso, só não tinha certeza. Você virava o rosto toda vez que eu ia te beijar, talvez você não quisesse…
__ Agora estamos namorando?
__ Estamos sim.
Eu não precisava contar essa historinha toda pra falar o que eu vim falar, mas acabei me empolgando. E vocês podem até estar pensando: “Falar de beijos nesta altura do campeonato. Nós queremos ouvir sobre sexo!”
Ora bolas, nada define melhor a química entre duas pessoas do que a sintonia do beijo, não é mesmo? Um beijo bom abre as portas pro prazer. Um beijo ruim pode arruinar tudo.
Quem aqui, pelo menos uma vez na vida, não desistiu de se relacionar com alguém por que o beijo não bateu? Eu já! Mais de uma vez até. Uma delas foi inesquecível pra mim:
Cezinha era o menino mais bonito que eu já tinha visto. Todas as meninas do condomínio eram loucas por ele, inclusive eu. Uma bela noite de sábado, aniversário de uma amiga em comum, foi minha vez de ficar com ele. Pois é, ele era tão disputado que já tinha ficado com quase todas minhas amigas.
Saímos da festa e fomos conversar entre os carros no estacionamento. Na hora do beijo… tcharãm! Que decepção! Ele abria demais a boca, mordia e babava muito. Não consegui acreditar naquilo. Eu ainda tentei uma segunda vez que foi ainda pior. Só pra tirar a prova dos nove, tentei um terceiro beijo que conseguiu ser ainda pior que os outros dois. Desisti! Nunca mais quis saber do Cezinha. Meu tesão por ele foi a zero.
E mais alguns Cezinhas passaram pela minha vida. Descartei todos! Não que eu ache que sou a rainha do beijo. Nem tenho essa pretensão. Até espero que o Cezinha tenha aprendido a beijar com alguma outra garota ou então encontrado um beijo tão aberto, dolorido e babado quanto dele, sua boca gêmea.
Hoje eu sigo beijando muito. As vezes beijo alguns clientes e agora, beijando o namorado, continuo descobrindo maneiras de beijar. Vejam vocês que eu nunca tinha chupado uma língua! Eu sempre beijei encostando os lábios e deslizando língua com língua, algumas mordidinhas nos lábios até faziam parte do enredo na hora do beijo, mas chupar a língua do outro como quem chupa uma chupeta, essa eu descobri a pouco.
Vivendo e aprendendo!




on Dezembro 3rd, 2007 at 10:50 pm
Engraçado ver a pureza da sua alma. Não queria mesmo ouvir falar de sexo, nem de beijo, mas desse alguém diferente que cada um de nós poderíamos ter sido. Você não é menos, mas não é mais aquela menininha que acreditava no amor sincero, verdadeiro, construtor. Ainda existe isso, Bela, pode crer. Se perdeu a crença, é só resgatar lá no passado, quando a espera pelo namoradinho no portão representava a certeza de que as pessoas são feitas para viverem com a singeleza e a inocência que só os que verdadeiramente amam têm. Deus a abonçõe, Isabela.
Abraços do seu igual,
João Ninguém
on Dezembro 4th, 2007 at 9:07 am
Uma coisa tão simples e tão complicada, sem palavras e que diz tanto sobre a gente…
Post muito inspirado, Bela. Fez pensar um bocado…
on Dezembro 4th, 2007 at 3:13 pm
Opa!!!! Ola!!! Deixa eu me defender! Meu nome é Cezar e me chamam de Cezinha e as meninas dizem que beijo muito bem!!! Que tal vc desfazer essa mal impressão do Cezinha hein Bela?!
Podemos combinar e te encho de beijos deliciosos. Seu sorriso é maravilhoso! Bjao
on Dezembro 5th, 2007 at 3:11 am
um beijo é a linguagem do Amor.
beijinhos mil
whispers
on Dezembro 5th, 2007 at 3:48 pm
Nossa Bela, vc me lembrou de uma vez que eu fiquei com uma menina e ela pediu pra chupar a minha língua, porra foi a coisa mais doida que já ví! ela de fato parecia pagar um boquete pra minha língua!
E no meio disso, perguntei sussurrando:
-Vc gosta de chupar?
-Adoro
-Gosta mesmo de chupar hein?
-Adoooooro… LINGUA!
Hahahahaha! faça muito isso Bela, isso deixa qualquer um doido!
Bjão!