Minha Biografia - Parte 2
24 Junho 2007Meu grupo de amigos era composto sempre de pessoas bem mais velhas, eu era a caçula. Namorei vários homens e consegui a proeza de perder a virgindade com três. Mentirosa eu? Ou será que eles estavam tão “cegos por um cabaço” que não enxergaram a verdade?
Aos dezessete namorei um homem trinta anos mais velho. Ele lambia a palma da minha mão e isto me deixava excitadíssima. Um dia ele traiu minha confiança, me deixou bêbada e me filmou em poses obscenas. Eu só tomei conhecimento da fita semanas depois, quando quis romper nosso relacionamento e ele me chantageou. _Dane-se! _ Eu respondi. _ Coloca essa porra na TV.
Aos dezoito, bêbada, conheci o Luis, meu primeiro amor, o homem que seria o responsável, ou não, pela minha vida a partir dali. Minha mãe foi morar no Nordeste e eu voltei pra casa dos meus tios. Fiquei com eles até o meu tio descobrir que eu não era mais virgem e me expulsar de casa.
Me mudei pra casa de um amigo, um velho marinheiro aposentado que vivia só. Eu era normalista e no final deste mesmo ano me formei em professora e passei em primeiro lugar no concurso para ser professora titular de uma turma.
Eu era pagã e aos dezenove me batizei. Lembro do padre me dizendo que dali por diante eu estava limpa dos meus pecados. Eu ainda nem tinha pecados!
Minha vida era boa e me mantinha ocupada a maior parte do tempo. Dava aula em dois colégios, estudava a noite e namorava o Luis enquanto corrigia provas e rodava trabalhos no mimeografo.
Esqueci de contar que meu amigo marinheiro foi o por mim escolhido para ser meu padrinho. E o que teve um significado enorme pra mim, não fez diferença pra ele. Descobri que ele furava minhas camisinhas e me bolinava na cama à noite. Eu precisava dar um jeito na minha vida.
Uma noite, no banheiro da boate, escutei a conversa que traria a solução para os meus problemas. Marrie e Jacke falavam alguma coisa sobre estrangeiros, Copacabana e a noite anterior. Fiquei curiosa e perguntei sobre o que elas estavam falando. Depois de me contar, Marrie rapidamente falou: __Amanhã passo pra te pegar.
E foi assim, na Help, que efetivamente virei prostituta. Sala de aula durante o dia, hotéis de luxo a noite e o namorado no final de semana. Em dois ou três dias eu tinha o salário do meu mês inteiro, o trabalho me cansava menos, os clientes eram bons, mas não foi isso que me fez optar pela “vida fácil”.
Eu mudei rápido. Comprei relógio de marca e roupas de grife e comecei a fazer coisas diferentes na cama. É claro que o Luis percebeu e por mais que eu dissesse que estava arrependida e que pararia com tudo se ele me perdoasse ele era machista demais pra perdoar. Perdi o namorado, homem da minha vida, mas ganhei milhares deles.
Dos dezenove aos vinte e três eu vivi dez anos. Ganhei e gastei muito dinheiro. Experimentei todos os tipos de drogas. Bebi e participei das mais loucas orgias. Namorei artistas. Freqüentei a high society. Quase morri. Namorei mulheres e fui fichada na polícia. Passei por todos os tipos de boates, agências, puteiros e termas e dessa época não me faltam estórias. Conheci o pai das minhas filhas num desses lugares, engravidei e casei.
Nessa época também, pouco antes de engravidar, tive meus quinze minutos de fama. Todo mundo queria saber como uma professora primária havia deixado tudo pra se tornar atriz pornô. Fui capa de revista, atriz de teatro e dei entrevistas em vários programas de TV.
Eu estava acertando minha ida para filmar com Rocco em Budapeste quando descobri que seria mãe. Minha cabeça rodou, lembrei da minha infância confusa e decidi que era hora de parar. Casei, mudei de cidade, me reaproximei da família e montei meu próprio negócio.
Os filhos são um capítulo à parte na minha vida. São o meu momento mais mágico e mais real. Parir pra mim foi a experiência mais próxima de chegar perto de Deus. E foi nesse momento que tudo ganhou sentido pra mim.
O casamento foi bom até certo ponto. Me ajudou a construir a família que eu não tive. Meu marido era bom, amoroso, bom pai, mas faltava uma coisinha. Amá-lo. Casar pra não ser mãe solteira não foi uma boa escolha e eu sou passional demais pra viver sem amor. Depois de quatro anos resolvi que queria me separar e separei.
Seis meses depois me apaixonei perdidamente por alguém me levaria do céu ao inferno, mas esta estória não quero contar agora. E foi num momento de tristeza, mágoa, desespero e estresse que resolvi desabafar e em setembro de 2004 comecei a escrever o Madame Bela.
No começo eram apenas estórias do meu passado, mas não demorou muito para eu encarnar a personagem e voltar aos programas, reafirmando o ditado de que “uma vez puta, sempre puta”.
CONTINUA…




on Junho 24th, 2007 at 6:40 pm
Cara, leio seu blog há uns meses e não canso de pensar…
Vida fácil o cacete! Tu eh lutadora e já passou por mta coisa nessa vida!
Guerreira!
on Junho 25th, 2007 at 8:22 am
Bela,
atualiza PELAMORDEDEUS!
Tua história está M A R A V I L H O S A!
Sabe, eu tenho muita, mas muita vontade de te conhecer. Leio seu blog há mais ou menos dois anos. E conforme você se revela, vou construindo sua imagem em minha imaginação. Sou capaz de especular e conjecturar várias coisas, mas uma delas é impossível, e, talvez por isso, eu tenho tanta vontade de conhecê-la pessoalmente: seu cheiro, seu gosto…
E agora na iminência do término de seus trabalhos com desconhecidos, fico ainda mais ansioso por conhecê-la!
Parabéns, primeiro pela tua garra, coragem e ousadia; segundo, pelo blog de muito bom gosto e muito bem escrito.
Beijos,
Zeca.
on Junho 25th, 2007 at 8:58 am
..TE DESEJO SORTE.. POIS É TUDO Q TENHO PRA DAR…GOSTO DO SEU MODO DE ENCARAR OS IMPECILIOS DA VIDA, POR ISSO VIREI TEU FÃ…..
on Junho 25th, 2007 at 11:34 am
LIVRO! LIVRO! LIVRO!LIVRO! LIVRO! LIVRO!LIVRO! LIVRO!LIVRO! LIVRO!LIVRO! LIVRO!LIVRO! LIVRO!LIVRO! LIVRO!LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO! LIVRO!
on Junho 25th, 2007 at 11:58 am
Bela,
Tá de tirar o folego …. Nunca imaginei nada perto disto tudo (embora sempre soubesse q nada foi fácil pra vc).
O q falta pra virar um livro (ou roteiro de filme)???
PB
on Junho 25th, 2007 at 1:26 pm
Desistiu de mim, moça? Beijos.
on Junho 25th, 2007 at 2:23 pm
Oi Bela,
Não creio que você deva ficar resignada à sua vida de GP. Acumule o que você puder de riqueza e depois construa sua vida com alguém que te ame de verdade.
Esse desabafo de contar sua biografia é uma forma de se recompor para ganhar folego e sanidade para tocar sua vida de uma forma mais rica.
Pelo seu relato, a experiencia que voce viveu com sua mãe, voce não vai querer para suas filhas, não é mesmo?
Mais um abraço de um admirador,
Penislongo
on Junho 25th, 2007 at 3:54 pm
poxa não sei se conseguiria sobreviver depois de tantos tombos,vc é uma mulher muito forte.
parabéns.
on Junho 25th, 2007 at 9:43 pm
Sabe, leio seu blog há alguns meses, e agora lendo essa sua história (as duas partes até agora), mudei minha opinião completamente a respeito do que pensava sobre você.
No início, preciso confessar que cheguei até a te achar um tanto esnobe, pelo jeito que falava das coisas que te aconteciam.
Mas depois disso, preciso encarecidamente pedir desculpas. Fácil foi uma palavra que pelo que parece, você não soube o significado. Sinto realmente uma profunda admiração por você depois de tudo isso.
Abraços
on Junho 25th, 2007 at 11:58 pm
Te leio tem um tempinho já. Queria te dar os parabéns, é muito dificil dar aquilo que não recebemos, e hoje vi que tu não recebeu segurança, amor, enfim não teve um lar saudável pra crescer. Mesmo não te lendo sempre, percebi várias vezes tua preocupação com tuas filhas, teu amor e cuidado em protege-las.
Vim aqui hoje porque vi na tv aqueles jovens de familias ricas que espancaram a doméstica no rio alegando que pensaram que ela uma GP. Lamentável!
Fosse ela GP, doméstica, médica, advogada. É um ser humano assim como todos nós.
As pessoas rotulam os outros com uma facilidade. Por isso gosto do teu blog, acho importante isso da net de nos permitir “ver” um pouco do mundo de pessoas, muitas vezes, tão diferentes da gente no modo de viver, mas tão iguais como seres humanos.
Até.
on Junho 26th, 2007 at 5:41 pm
Bela,
seguinte, acho que o tal Luiz não pode ser chamado de machista não.
Não é só porque você fez programa, fez sexo com outros homens, e isso é traição. É difícil continuar um relacionamento depois disso.